Você tem algumas noites em Tóquio e uma dúvida grande: Kichijoji ou Shibuya, onde sair? Estamos em Tóquio desde 2016 e essa pergunta chega quase toda semana, de estudantes, mochileiros, grupos de amigos e viajantes solo na primeira viagem ao Japão. Resposta curta: os dois são bons, em coisas diferentes. Aqui vai nossa comparação sincera, com um veredito por tipo de viajante no final.
Kichijoji ou Shibuya: onde sair à noite em Tóquio em um minuto
- Shibuya: a famosa. O Scramble Crossing, a Center-gai, o Shibuya Sky, baladas gigantes e neon por todo lado. Barulhenta, mais cara e cheia de turistas, mas nenhum outro lugar se parece tanto com a Tóquio que você imaginou.
- Kichijoji: a favorita dos locais, em Musashino, no oeste de Tóquio. Os barzinhos minúsculos da Harmonica Yokocho, o parque Inokashira, estudantes das universidades próximas e drinks por volta de 500 a 700 ienes. Fica a uns 15 minutos de Shinjuku pelo rápido da linha JR Chuo e a 17–20 minutos de Shibuya pela linha Keio Inokashira, ou seja, mais perto do que parece.
- Nossa regra de bolso: Shibuya para o espetáculo e a pista de dança, Kichijoji para conversar e fazer amizade. Dá para fazer as duas na mesma noite também; o plano está mais abaixo.
O clima: cruzamento gigante ou barzinhos pequenos?
Shibuya: grande, iluminada, barulhenta
Shibuya é a Tóquio que você viu nos filmes. Você sai da estação direto no Scramble Crossing, sobe a Center-gai (a grande rua de pedestres, lotada de karaokês, fliperamas e izakayas de rede) e encontra baladas empilhadas umas sobre as outras. Para a primeira noite do tipo "estou mesmo em Tóquio", nada supera. O Shibuya Sky, mirante pago no topo do Shibuya Scramble Square, é a melhor parada da região no pôr do sol; reserve on-line um ingresso com horário marcado, porque os horários do pôr do sol esgotam primeiro.
A contrapartida: tudo é feito para volume. As baladas quase sempre cobram entrada, bares voltados para turistas podem ser insistentes e, em algumas ruas, você ouve mais inglês do que japonês.

Kichijoji: pequena, acolhedora, local
Kichijoji parece uma festa de bairro. No comecinho da noite você dá uma volta no lago do parque Inokashira (pedalinhos de cisne, músicos de rua e o Museu Ghibli na outra ponta, só com reserva antecipada) e depois vai para a Harmonica Yokocho, o labirinto de vielas logo ao norte da estação que nasceu de uma feira do pós-guerra. São uns 100 barzinhos e botecos minúsculos, muitos com menos de dez lugares. Há várias universidades por perto, então as mesmas vielas ficam cheias de estudantes e jovens trabalhadores da região, e não só de visitantes. Ninguém posa para o Instagram aqui: as pessoas estão tomando uma com os amigos.

Nosso guia completo do bairro está em o que fazer em Kichijoji.
Orçamento por noite: quanto você vai gastar
Os preços exatos mudam conforme o bar e a noite, mas o padrão é claro.
- Shibuya: mais caro por drink, além de entradas de balada que costumam custar alguns milhares de ienes na porta, às vezes com um drink incluído. Bares das ruas mais movimentadas podem cobrar taxa de assento. Uma noite grande sai cara rápido, principalmente se você acabar num lugar com clima de garrafa VIP.
- Kichijoji: um drink num bar da Harmonica Yokocho costuma ficar em torno de 500 a 700 ienes. Quase todos os barzinhos cobram um otoshi, um petisco obrigatório que funciona como taxa de assento, normalmente algumas centenas de ienes por pessoa; é normal, não é golpe. Três bares, uma rodada de yakitori e dois highballs saem bem mais barato do que uma única noite de balada em Shibuya.
- Opção guiada: nosso Rolê pelos bares escondidos de Kichijoji custa US$ 120 por pessoa e dura 4 horas (de terça a domingo, das 19h às 23h, no máximo 8 pessoas). Inclui coquetéis japoneses variados, dicas de etiqueta e tradução completa de um guia trilíngue, por bares escondidos de Kichijoji e Harmonica Yokocho. Os drinks são por sua conta, uns 500 a 700 ienes cada. O pagamento é integral na reserva e não há cancelamento nem reembolso, então confira bem as datas antes.
Dica para as duas regiões: leve dinheiro em espécie. Os barzinhos de Kichijoji muitas vezes só aceitam dinheiro, e fica mais fácil dividir a conta com os amigos.
Conhecer gente e fazer amigos
Em Shibuya, os grupos geralmente ficam na própria bolha. As baladas são barulhentas e a conversa se resume a um "de onde você é?" gritado. Pode funcionar, e muita gente faz amigos nos rolês organizados pelos hostels, mas dá trabalho e o público muda a cada hora.
Em Kichijoji, o tamanho do salão faz o trabalho por você. Quando um bar tem sete banquinhos, você vai conversar com os vizinhos de qualquer jeito. Os donos batem papo com quem chega pela primeira vez, os frequentadores dão dicas e não existe entrada paga entre você e o salão. Na nossa experiência, é o lugar mais fácil de Tóquio para um viajante solo entrar numa conversa sem forçar. Um sorriso e um "konbanwa" abrem portas; um guia que interpreta abre ainda mais, e é por isso que nosso rolê de bares acontece aqui e não em Shibuya.

Segurança e logística de madrugada
Tóquio é uma das grandes cidades mais seguras do mundo para sair à noite, mas alguns detalhes práticos salvam sua noite.
- Idade para beber: 20 anos no Japão. As baladas pedem documento na porta e, de qualquer forma, visitantes estrangeiros são obrigados a andar com o passaporte no Japão, então leve o seu.
- Último trem: a maioria das linhas para entre meia-noite e 0h30. Veja a última partida da sua linha antes de pedir o último drink. De Kichijoji a Shinjuku pela linha Chuo são cerca de 15 minutos; de Kichijoji a Shibuya pela linha Keio Inokashira, 17–20 minutos se você pegar o expresso.
- Primeiro trem: por volta das 5h da manhã. Se perder o último, o comum é ficar num karaokê 24 horas (as grandes redes vendem pacotes noturnos de "free time"), num restaurante ou café noturno, ou pegar um táxi, que fica caro em trajetos longos.
- Aliciadores em Shibuya: nas ruas movimentadas, pessoas abordam você para levá-lo a um bar ou balada. Um "não, obrigado" educado e siga andando. Não vá atrás de quem promete drinks baratos e nunca entregue seu cartão a um estranho.
- Bares com preço abusivo e "boa noite, Cinderela": escolha lugares com cardápio e preços à vista e não perca seu drink de vista. Kichijoji é mais tranquila, mas o bom senso vale em qualquer lugar.
Para o panorama completo, veja nosso guia de o que fazer em Tóquio à noite.
Comida: yakitori de beco ou restaurantes de rede
Shibuya tem todo tipo de restaurante e muitas izakayas de rede grandes, práticas para grupos grandes e horários tardios. São confiáveis, com cardápio em inglês e com fotos, mas poderiam estar em qualquer cidade do Japão.
O ponto forte de Kichijoji são os lugares independentes: balcões de yakitori soltando fumaça, bares em pé, cozinhas minúsculas que fazem um único prato bem feito e a famosa fila do menchi-katsu ao lado da yokocho. Você come em pé ou num banquinho, pede dois pratos de cada vez e continua bebendo. Nada sofisticado, e é justamente essa a graça.

Quer algo diferente para uma segunda noite? Nosso passeio Tacos & Beers: rolê de bares em Tóquio (US$ 100 por pessoa, 3 horas, de terça a domingo às 18h) é uma noite descontraída em Shimokitazawa, com um prato de tacos para dividir e uma bebida no primeiro bar, depois um izakaya local e um bar escondido, longe do circuito turístico de sempre.
Faça as duas: o plano Shibuya e Kichijoji
As duas ficam a 17–20 minutos uma da outra, direto pela linha Keio Inokashira, então combinar numa noite é fácil.
Opção A: Shibuya no pôr do sol, Kichijoji à noite
- Antes do pôr do sol (por volta das 16h30 em dezembro, 19h em junho): Shibuya Sky com ingresso reservado, ou fotos no Scramble Crossing.
- 18h00 Jantar rápido em Shibuya, depois linha Inokashira até Kichijoji.
- 19h30 Harmonica Yokocho: highball e yakitori no balcão.
- 21h00 Mais dois barzinhos. Saia por volta das 23h30 para pegar o último trem.
Opção B: Kichijoji cedo, Shibuya tarde
- 18h00 Passeio pelo parque Inokashira e primeira rodada na Harmonica Yokocho.
- 20h30 Linha Keio Inokashira até Shibuya.
- 21h30 Scramble Crossing, Center-gai, depois balada ou karaokê. Decida até as 23h30: último trem para casa ou virar a noite até o primeiro trem, por volta das 5h.
Nossa escolha é a opção A. Primeiro o skyline, depois as conversas, e você volta para casa com folga antes do último trem.
Quem deve escolher qual: nosso veredito
- Primeira viagem ao Japão, quer as fotos icônicas: Shibuya por uma noite e depois Kichijoji.
- Viajante solo que quer conhecer gente: Kichijoji, de preferência com guia.
- Grupo de amigos que quer dançar: Shibuya, com Kichijoji de aquecimento.
- Estudante com orçamento apertado: Kichijoji, com dinheiro em espécie e um plano.
- Quer se sentir local, não turista: Kichijoji, sem dúvida.

Se tivéssemos que escolher uma para alguém de vinte e poucos anos na primeira viagem: Kichijoji para a noite de verdade, Shibuya para a foto. Se quiser a noite de Kichijoji sem precisar planejar nada, venha no Rolê pelos bares escondidos de Kichijoji (US$ 120, de terça a domingo às 19h, encontro na estação Kichijoji, saída Park Exit). É preciso ter 20 anos ou mais e todas as reservas são definitivas.
